Inteligência Artificial

Google vai encerrar o Jules: uso até 11/11 e como exportar projetos

Quem usa o Jules, o agente de programação autônoma do Google, tem até 11 de novembro de 2026 para concluir as sessões em andamento. O Google comunicou o encerramento do serviço em nota datada de 29 de outubro de 2026 no registro de mudanças do Jules: depois do dia 11, a ferramenta fica disponível apenas para leitura e sai do ar em 31 de dezembro.

  • Até 11 de novembro: ainda dá para terminar sessões abertas.
  • Depois disso e até 31 de dezembro: o Jules funciona só para consulta.
  • No GitHub, nada muda: código, branches e pull requests continuam onde estão.

 

Até 11 de novembro: últimas sessões em execução

O Jules recebia uma tarefa, montava um plano, alterava arquivos, rodava testes em uma máquina virtual e devolvia as mudanças para revisão. O Google o apresentou no fim de 2024 como experimento baseado no Gemini 2.0, e em agosto de 2025 ele deixou a fase beta e ganhou planos pagos, segundo o Tecnoblog. O desligamento acontece em etapas:

DataSituação do JulesO que dá para fazer
29 de outubro de 2026Anúncio do encerramentoExportar configurações e histórico
Até 11 de novembro de 2026FuncionandoConcluir sessões já abertas e exportar
Depois de 11 de novembroSomente leituraConsultar o histórico
31 de dezembro de 2026Serviço encerradoSem acesso ao serviço

O comunicado fala em “terminar sessões” até o dia 11 e não diz se novas tarefas continuarão aceitas nesse intervalo. Na prática, quem tem uma fila de trabalhos agendados deve priorizar o que já está em andamento e não contar com tarefas novas perto do prazo.

 

Depois de 11 de novembro, o agente vira arquivo de consulta

No modo somente leitura, o histórico de sessões continua visível, mas o agente deixa de executar mudanças. Como o agente deixa de executar, as tarefas programadas (scheduled tasks) também param, o que afeta quem usava o Jules para rotinas como atualização periódica de dependências. Vale reconfigurar essas rotinas em outra ferramenta antes do dia 11, para não descobrir a falha só quando um pull request esperado não aparecer.

O comunicado não menciona os planos pagos nem reembolso. Quem assina pelo Google deve acompanhar a conta para ver se haverá ajuste na cobrança.

Notebook com editor de código aberto na tela
As alterações já enviadas ao GitHub não dependem do Jules. Imagem ilustrativa. Foto: Daniil Komov / Pexels

 

Exportar antes do prazo: o roteiro com o Jules Tools

O Google não criou um botão de exportação na interface web. A cópia é feita pela linha de comando, com ajuda de um agente de programação. O roteiro oficial:

  1. Instale o Jules Tools, a CLI do serviço, com npm install -g @google/jules. Sem o npm instalado, o processo para.
  2. Rode jules login e entre com a conta Google usada no Jules. O token de acesso vale cerca de uma hora, então faça o login logo antes de exportar.
  3. Se o Jules trabalhava nos seus repositórios, confirme que a conta do GitHub está conectada pelo app google-labs-jules. Sem isso, os dados de repositório ficam de fora.
  4. Abra um agente de programação de terminal a partir da sua pasta pessoal (a página do Google cita o Claude Code como exemplo).
  5. Cole o prompt de exportação publicado no registro de mudanças. O agente confere o ambiente, executa a cópia e lista o que salvou.

 

O que vai parar na pasta jules-export

Tudo fica em ~/jules-export: a lista de repositórios conectados (sources.json), uma pasta por repositório com script de configuração, comando de teste e memórias, além de user-settings.json, env-variables.json e scheduled-tasks.json. Cada sessão ganha uma pasta própria com o prompt, o plano, o registro completo de atividades, um resumo e os patches de código em arquivos .diff.

 

Onde a exportação pode dar errado

O próprio Google faz três alertas. O arquivo env-variables.json traz os valores das variáveis de ambiente, inclusive chaves de API, e não pode ir para nenhum repositório: inclua a pasta no .gitignore ou guarde-a fora de projetos versionados. O prompt manda o agente ler o token de login no Keychain do macOS ou no armazenamento de segredos do Linux; o texto promete não exibir o token, mas a recomendação é revisar o script antes de rodar. E a rotina usa endpoints internos não documentados, que podem quebrar a qualquer momento. Esse último ponto é o melhor argumento para exportar já, e não na última semana.

 

Antigravity e o destino dos repositórios no GitHub

Segundo o Google, o que a equipe aprendeu com o Jules será aproveitado em outros produtos, entre eles o Google Antigravity, ambiente de desenvolvimento lançado em 2025 e pensado para trabalhar com vários agentes de IA. A diferença de proposta é relevante: o Jules trabalhava sozinho, em segundo plano, enquanto o Antigravity é um editor em que o desenvolvedor delega tarefas e acompanha a execução.

O Google não disse que o Antigravity substitui o Jules diretamente nem anunciou migração automática das tarefas, de acordo com o Tecnoblog. Os patches exportados servem como referência, mas não são importados por outra ferramenta. Para quem usava o Jules em automações de repositório, os fluxos com agente do próprio GitHub são outro caminho, como mostramos em GitHub Agentic Workflows sai da prévia: como automatizar.

O movimento repete o que o Google fez em maio com o Project Mariner, agente de navegação na web que deixou de existir como produto separado e teve parte da tecnologia levada a outros serviços.

 

31 de dezembro, data final para recuperar qualquer coisa

A data que encerra o processo é 31 de dezembro de 2026. Até lá, o histórico continua acessível para leitura; depois, o Google diz que o serviço será desligado, e o comunicado não prevê guarda dos dados após essa data. Quem ainda não exportou deve marcar 11 de novembro como prazo interno, porque é a última data em que o serviço garantidamente está ativo.